
Escrevo este texto um dia e meio depois da realização do TEDxSP. O que faz dele praticamente uma reflexão histórica. Nesta altura, já estão disponíveis na rede várias resenhas, resumos, críticas, vídeos no YouTube, fotos no Flickr, além das próprias apresentações de muitos dos palestrantes. Sem contar a coleção de pios ao vivo e pós evento no Twitter (agrupados no #TEDxSP).
Portanto, já não é mais hora de descrever o evento. Vou escrever aqui o que foi o meu evento, a minha experiência em participar da primeira edição independente do TED em terras brasileiras.
Como eu sou muito passional e adoro o TED, já estava gostando dele desde muito antes dele começar. Quando recebi o e-mail com o convite, gostei mais ainda: um tom próximo, seguro, simpático. Junto com a confirmação da minha inscrição, um conjunto de instruções precisas:
O encontro - A programação vai das 7h30 às 19h30. Chegue cedo para não perder nenhum segundo! Começaremos com um pequeno café de boas vindas seguido de 4 blocos de palestras, dois de manhã e dois à tarde. Vale lembrar que para nós, os momentos de confraternização são tão importantes quanto os de palestras. Por isso, pedimos que compartilhem o dia inteiro com a gente e venha aberto para conhecer pessoas surpreendentes.
Alimentação - Almoço e lanches serão servidos gratuitamente durante os intervalos. Para os vegetarianos: nosso menu não inclui carne. Mas se você tem algum tipo de restrição alimentar mais rígida, recomendamos trazer seu próprio lanche.
Traje apropriado - Na verdade não existe um, mas a gravata pode ficar no armário! Jeans e camiseta é perfeito. Um sapato confortável é altamente recomendado. A dica é: vista algo que te deixe à vontade. Este é um ambiente informal, relaxe e aproveite o encontro.
E regras muito, muito simpáticas:
Quando sair, mantenha objetos pessoais com você. Lugares novos a cada sessão!
Não publique em seus blogs histórias ou fotos que possam invadir a privacidade de qualquer convidado.
A maioria das pessoas estará aberta para conhecer novas pessoas. Mas não é um fórum para um network agressivo. Respeite o tempo e a receptividade de cada um.
Como tinha ido no dia anterior, foi possível estar lá às 7 da manhã, fazer o credenciamento sem pressa e começar a encontrar os amigos reais e virtuais (aliás, os encontros eram quase uma reprodução da minha timeline no Twitter).
E nessa batida, entrei no auditório para as 12 horas de palestras. O primeiro susto: um pianista recifense de 20 anos. Mas outros se seguiram: Denis Burgierman, Augusto de Franco, Fernanda Viegas, Jarbas Agnelli. Sem contar a máquina que tira água do ar, a bicicleta de bambu, a descontaminação de água usando casca de banana, para ficar apenas em algumas das apresentações que mais me impactaram.
Os intervalos cumpriram integralmente a proposta: durante o almoço um neurocientista contava para mim e mais duas meninas do The Hub, dos achados de sua pesquisa sobre a memória recente e o tanto que, em função dela, ele discordava do raciocínio da Samara Werner.
Mas, passado toooodo esse tempo, algumas coisas se mostram mais impressionantes do que o conteúdo do encontro.
Como disse o Fábio Barbosa, se as gerações anteriores não deixaram um mundo melhor para os filhos, está, certamente, deixando filhos melhores para o mundo. Não tenho a menor dúvida, os melhores das novas gerações são muito melhores que os melhores da minha geração, por exemplo.
Organizadores e grande parte da platéia se mostraram pessoas não só informadas, articuladas e conectadas mas também educadas, simpáticas e – alegria das alegrias – idealistas, sonhadoras. Pragmatismo é bom, mas seu excesso se transforma em cinismo. E cinismo, convenhamos, é uma chatice.
Foi muito emocionante ver o entusiasmo e carinho com que a platéia recebeu a Dona Adozinda, uma professora de 92 anos que, respondendo à questão central do encontro disse: pessoas como vocês.
E melhor ainda ver as pessoas contaminadas com um sentimento de confiança e auto estima traduzido em gestos de atenção ao próximo. Na fila do taxi muitos ofereceram carona. Eu mesma fui levada por uma jornalista da Veja para meu hotel. Nem dividir a conta ela topou.
Um evento que nos deixa a falar de coisas com brilho nos olhos não é todo dia que acontece.

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