No princípio tudo era monólogo. E então fez-se o comment. Surgiram os blogs, o Twitter, o livestream. O que era privilégio de alguns (grandes corporações com orçamentos polpudos para a comunicação de massa) virou oportunidade de todos (ou, pelo menos, de qualquer um dos 47 milhões de brasileiros com acesso à internet). Quando nos demos conta, aquilo que chamávamos de comunicação mercadológica virou uma conversação. Um diálogo entre pessoas. Sem hierarquias, sem patentes, sem subterfúgios.
Enquanto não aprendemos as novas regras de ouro e os gurus não produzem o manual definitivo do comportamento da marca moderna nas redes sociais, vamos tentando aprender com os erros dos outros.
Quem estava online no sábado, dia 10/10 (em pleno feriado) pode testemunhar, ao vivo, nossa própria versão do caso da United Airline. A banda Detonautas saindo de Fortaleza, a caminho de Belo Horizonte, ficou presa no aeroporto de Brasília depois que a companhia aérea atrasou o vôo de origem e deixou o vôo de conexão partir sem os passageiros vindos do Ceará.
Uma história quase corriqueira. Mas os passageiros não só eram músicos conhecidos. Tico Santa Cruz (@Ticostacruz), vocalista do grupo é twitteiro contumaz e influente (tem mais de 68 mil seguidores) e decidiu não só reclamar da Tam no microblog, como fez um sarau no chão do aeroporto de Brasília, com direito a transmissão ao vivo via TwitCam.

Quem acompanhou ao vivo ouviu música e queixas da companhia aérea. Viu também a repercussão em outros blogs, como no influente Contraditorium:
“neste momento a notícia sem rosto de “vôos atrasados” se torna algo humano. A moça com um bebê no colo que passará o dia no aeroporto e perderá o casamento da irmã, o sujeito ameaçando quebrar o aeroporto, o pessoal desesperado por não conseguir viajar…”
Com tanto barulho nas redes sociais, a mídia tradicional se interessou pelo assunto. A Rede Globo mandou uma equipe cobrir o inusitado show. Rapidamente, o grupo é embarcado. Mas os problemas da banda e da cia aérea não acabaram:

Não sabemos exatamente como lidar com esse novo personagem: o consumidor que tem opinião e audiência. Mas precisamos tentar jeitos novos que não o “me devolve minha bola que eu parei de jogar”.
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