“Respirar, pirar”* (nessa ordem)

David já era símbolo da Florença renascentista antes de Michelangelo criar sua versão. Donatello e Verrochio, por exemplo, já tinham seus Davids incorporados ao acervo dos palácios florentinos, ambos retratados em seu triunfo: com a cabeça do gigante Golias a seus pés. A genialidade e inspiração do David de Michelangelo começa já pela escolha do momento em que a história é melhor capturada, o exato instante que precede a luta. Pedra e funda na mão, olhar concentrado no objetivo. Onde mandar a pedra?
Mais de 500 anos depois, estamos aqui, dia após dia, com a sensação de sermos uma legião de Davids brigando contra vários Golias. Muitos desafios, poucos recursos, muito a fazer em muito pouco tempo. Concorrentes em número crescente, clientes empoderados, fórmulas conhecidas que perdem eficácia como um remédio vencido. A demanda por ação (na verdade, reação, na maioria dos casos) quase nos impele a sair fazendo freneticamente. Sem parar, sem pensar, sem olhar. E nunca a lição de Michelangelo foi tão útil: antes de atirar a pedra é preciso olhar para o desafio, considerar o objetivo e imaginar o melhor caminho para alcançá-lo.
Eu sempre achei que a melhor metáfora para o planejamento era esse olhar de David. Hoje, acho que ele é a melhor metáfora para a vida.
*Copyright do Vina
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Continuo concordando com vocês.

Adriana,
O doido é que um David mais afoito pegaria uma lança ou uma espada.
Ganhei a foto (e com ela, a história) de você e uso sempre em aula de Solucionamento Criativo de Problemas.
A funda é um invento antigo. Legal é quando ela atende a uma possibilidade percebida (por isto vira estratégia) e, a partir daí, conduz o percurso.
Adoro isto também.
Minha pedra tá na mão.
Na Bíblia, Davi era um garoto que foi levar queijos aos seus irmãos que estavam guerreando contra os filisteus. Ao chegar lá, se deparou com um guerreiro gigante que caçoava do exército israelita. Indignado com aquela situação, se prontificou a enfrentá-lo apenas com a sua funda, recusando a armadura militar que o Rei Saul lhe oferecera. Ou seja: pegou pra si um problema que a princípio não era seu, usando uma ferramenta aparentemente inapropiada para resolver a parada. Um exemplo que vale pro trabalho e pra vida, que vivem nos apresentando gigantes diante dos quais nos amedrontamos ou permacemos imóveis. “Antes de atirar a pedra é preciso olhar para o desafio, considerar o objetivo e imaginar o melhor caminho para alcançá-lo”. Só acrescentaria uma coisa, Adriana: fé em Deus. Esse garoto tinha e de sobra.
Eu achei que este post tem muito de Dr. Márcio Ibrahim
Dele e de todos os mestres.
Davids e Golias que cruzam nossos caminhos diariamente. Ora vestidos de executivos, outras tantas apenas um mendigo. Mas certamente a força interior dos Davids cresce a cada dia. Um dia, os Golias, ainda maioria, terão vergonha de sair na rua sem disfarce. Parabéns Vina.
Grande Olivieri (Gio), meu irmão. Que belo resgate esse seu comentário faz desse post. E numa hora perfeita (isso merece explicações ao vivo, hehe!!!). Só vale um esclarecimento: o título é meu, mas o post é de Adriana Machado, minha sócia. Passe sempre por aqui. Sua opinião nos engrandece.