“Cuidado, o outro pode estar certo”
Reza a lenda que Bill Bernbach andava em sua DDB com cartão vermelho no bolso. Toda vez que via dois profissionais defendendo apaixonamente um argumento, o apresentava. Nele, lia-se a advertência título deste post.
Gosto de me lembrar sempre dessa advertência. Por me achar uma pessoa muito passional e sem receio de defender um ponto de vista, acho-a particularmente valiosa.
Na última semana tenho me lembrado bastante dela. É que tenho visto pessoas decretando com tanta veemência o sucesso ou o fracasso do iPad, que fico tentada a sair distribuindo cartões vermelhos de Bernbach.
Claro que temos todos o direito de reagir ao lançamento de um produto tão badalado, de uma marca tão cultuada. Sentimo-nos testemunha de um momento importante e muitos não querem passar batido por ele.
Mas daí a decretar o futuro inexorável (particularmente seu fracasso) do novo gadget, é uma longa distância.
Achou minha preocupação boba? Veja só o que um dos “grandes gurus” do marketing fim do século passado afirmou em maio de 2007 a propósito do lançamento do iPhone:
Categorias: Eu hein?









Ainda bem que eu não tenho grana pra comprar, aí nem preciso me preocupar se vai ser sucesso ou não
O “grande guru” fala igual o Doctor Evil.
Boa Tarde ,
Sou Atualmente atendimento em uma agência no interior de São Paulo, tenho a intenção de me mudar para Belo Horizonte e estou em busca de uma oportunidade na área.
A agência Tom Comunicação é sem dúvidas um lugar onde gostaria realmente de demonstrar todo meu potencial e contribuir.
Tenho alguma experiência atendendo clientes no mercado do Sul de Minas Gerais na agência Tríadaz, como o Queijo Cruzília, o Café Unique e a Granja Iana, todos produtos de qualidade de exportação e também distribuição no sudeste.
Segue em anexo meu curriculo com algumas das minhas experiências e qualificações.
Espero obter um retorno sobre a vaga e poder fazer parte dessa nova equipe.
Obrigada desde já pela atenção.
Pâmela Faria
Pâmela, por aqui não conseguimos receber anexos.
Faça o seguinte, mande um e-mail para tom@tomcomunicacao.com.br que a gente te responde pessoalmente.
Tem que esperar. Mas eu acho que vinga.
Eu tenho a impressão que ele vai vingar, também. Mas meu ponto nem é esse. A questão é que a gente se pega tão envolvido no argumento, em ganhar a discussão, em derrotar a lógica “adversária”, que acabamos nos fechando não só para essa lógica, mas também para os fatos e dados que possam reforçá-la.
Esse despreendimento de acatar dois argumentos contrários e ainda assim manter a capacidade de ação me parece ser o grande desafio ao lidar com a complexidade de um mundo sem verdades definitivas.
Talvez por isso eu gosto tanto da ciência e do exercício científico de trabalhar com verdades provisórias.
Isto está me lembrando um negócio bacana que minha irmã juíza falava: o ‘direito do contraditório’ algo a ver com os dois lados ou as duas verdades, a bilateridade das coisas. Ela definia com um termo em latim que busquei agora. Audiatur et altera pars, que significa “ouça-se também a outra parte”.
Em tempo, a minha verdade é: Adoro canivete suiço!